Lábios
dançam na nuca
desalinham os cabelos
segredam-lhe o amor
e partem à descoberta
com volúpia.
No pescoço, um tremor
aflora-lhe o corpo.
Ruboriza.
Passos de um bailado,
não ensaiado,
progridem.
Descem à procura
do calor materno,
da pequena fonte,
delícia colorida.
Detêm-se.
Deleitam-se.
A contradança prossegue
unida pelas mãos,
imparáveis,
esquadrinhando o corpo
sem pudor.
Descobrem-se,
sem demora,
os lugares escondidos
onde irão aportar
em compasso binário.
Enlaçam-se por fim os corpos
numa valsa em tons de azul.

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