terça-feira, 5 de abril de 2011

VALSE À DEUX TEMPS

Lábios 
dançam na nuca
desalinham os cabelos
segredam-lhe o amor
e partem à descoberta
com volúpia.
No pescoço, um tremor 
aflora-lhe o corpo.

Ruboriza.

Passos de um bailado,
não ensaiado,
progridem.

Descem à procura
do calor materno,
da pequena fonte,
delícia colorida.

Detêm-se.

Deleitam-se.

A contradança prossegue
unida pelas mãos,
imparáveis,
esquadrinhando o corpo
sem pudor.

Descobrem-se,
sem demora,
os lugares escondidos
onde irão aportar
em compasso binário.


Enlaçam-se por fim os corpos
numa valsa em tons de azul.



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