sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ensaio sobre o homem que não vivia dentro de si



Alto
magro
boca angular
nariz aquilino
olhos inexpressivos
mãos grandes e secas
que enfia nos bolsos
a cada dia que passa


Cruza-se na rua
com tantos outros seres
que julga iguais a si
Não os olha
tão pouco os lê
baixa os olhos
apressado
a caminho
do trabalho


Não fala
não ouve
não ama
nem teme
apenas
ele existe
dentro de si
não reservou
espaço para
os outros


Está só
e assim ficará
este homem
invisível
aos seus
próprios
olhos


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