terça-feira, 12 de abril de 2011

CAMINHO

O rodado do carro
deslizava com lentidão
pela estrada ladeada
de sobreiros

A sua copa
quebrava o chão
molhado pelo orvalho
da manhã

A neblina matinal
escondia o tímido sol
que despontava
no horizonte
plano
abandonado
daquela terra
que outrora
fora minha

Estava só

Regressava
ao ponto
de partida
sem ti

Apenas o cheiro
insistente a verde
me acordava
daquele torpor
pleno de dor

A lembrança
das tuas palavras doces
que enfeitavam
as minhas noites
de insónia
surgiam diante
do caminho

Nada mais restava

Nem as noites
nem tão pouco
as palavras

Apenas
em mim
se entranhou
a lonjura do
caminho

agora

desavindo




2 comentários: