Os pés descalços
entravam dentro
daquela água
gelada
e límpida
As mãos vazias
chegavam ao olhar
dos filhos
esfomeados
sem sonhos
O corpo
do homem jovem
quebrado pelo desespero
caía no chão
em cima do tapete
marcado pelo tempo
A tristeza reinava
a fome também
Mas houve um dia
em que a natureza
decidiu tomar conta dele
e dos seus filhos
O Salgueiro
que ladeava a mais bela
margem do país
decidiu quebrar
os ramos podres
à sua volta
e neles recriar a vida
e a esperança
numa Primavera
sem fim

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