segunda-feira, 25 de abril de 2011

Homenagem a Salgueiro Maia


Os pés descalços
entravam dentro
daquela água
gelada
e límpida


As mãos vazias
chegavam ao olhar
dos filhos
esfomeados
sem sonhos


O corpo
do homem jovem
quebrado pelo desespero
caía no chão
em cima do tapete
marcado pelo tempo


A tristeza reinava
a fome também


Mas houve um dia
em que a natureza
decidiu tomar conta dele
e dos seus filhos


O Salgueiro
que ladeava a mais bela
margem do país
decidiu quebrar
os ramos podres
à sua volta
e neles recriar a vida
e a esperança
numa Primavera
sem fim


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