terça-feira, 12 de abril de 2011

A ÁRVORE


Estanquei no meio da praça. Olhei em volta. Tinham arrancado aquela árvore centenária que tantas vezes me servira de sombra. Cerrei as pálpebras. Recordei episódios passados junto a ela.
Em menina, era levada pela mão do meu pai, que me dizia: ”Sabes, filha, esta árvore já aqui estava antes de construírem a praça. Mesmo antes daquelas velhas casas que hoje soçobram.” - “Soçobram, pai? O que é isso?” - “Quase que caem de tanto esquecimento.” 
Fitava a árvore. Era enorme. Robusta. Sentava-me num dos seus troncos e ela servia-me de abrigo. Sentia-me sempre abraçada como que num daqueles abraços que até nos impedem de respirar. O meu pai nem desconfiava o que eu sentia. Perante tal grandiosidade, emudecia.
Os anos passaram e a árvore, aquela árvore centenária, permanecia. 
Já na flor da idade continuei a visitá-la. Agora acompanhada. Éramos os dois que nos sentávamos, cada um em seu tronco, e falávamos sobre o amor. Quantas promessas aquela velha árvore não escutou. E calou.
Ontem, ainda ontem, tinha passado pela praça enfeitada pela velha árvore centenária. A sua copa já não estava tão frondosa, mas continuava a servir de amparo a quem por baixo dela se detinha.
Hoje. Hoje a praça não voltaria a estar enfeitada. Perdera para sempre o seu encanto: àquela árvore centenária despedaçaram o seu recanto. 

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