sábado, 9 de abril de 2011

A revelação

Parti com a máquina
ao ombro para captar
a vida e as emoções
das gentes


Cheguei a casa
O quarto escuro
estava preparado
para as melhores
revelações


Tudo a postos
O agente redutor
a banheira de descanso
o fixador e a água
a imprescindível gelatina


Iniciei o processo
com todo o cuidado
sabendo que em cada
fotografia veria
o seu negativo


Onde fotografei
a guerra vi a paz
das mãos com armas
surgiram flores
crianças que se empurravam
abraçavam-se fortemente
velhos abandonados
viviam em família
mesas vazias encheram-se
de cores e de odores
onde havia a fome
surgira a abundância
sorrisos francos substituíram
lágrimas que caíam
casais desavindos
cresciam no amor


A lente da minha câmara
tinha sabido converter
o mundo num lugar
mais belo e fraterno
mesmo em fotografias
a preto e branco

Não me iria desfazer
desta máquina
enquanto vivesse

2 comentários:

  1. A vida é composta de sonhos e de realidades.
    O que descreves,por ora,ainda é utopia,contudo creio que um dia será uma realidade.
    Assim o homem queira e Deus ajede.
    J.M.

    ResponderEliminar
  2. Acabar com a utopia depende apenas de nós, J.M.

    ResponderEliminar