terça-feira, 5 de abril de 2011

O MEU TEMPO

Tinha envelhecido. 

O tempo tinha passado por mim inexoravelmente. Contudo, não sentia a idade. 
Ao olhar-me ao espelho, contemplava longamente cada fio branco que acabara de nascer. Era um e outro e mais outro, a salpicarem o cabelo até então castanho, como pequenos flocos de neve. Dentro em breve teria um manto branco a acompanhar-me para sempre.
Sabia bem o que isto significava: sabedoria, amadurecimento. 
Não desejava nunca apagar o rasto dos dias que tinha construído até então. 
Voltar atrás? – impensável; nem sequer àqueles momentos especiais. 
Tudo teve a sua hora determinada: a sua razão e emoção.
Não adiantavam agora grandes angústias. 
A vida já estava escrita!


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