Destapaste o véu
que te aflorava o corpo
deixaste a descoberto
o final dos teus cabelos
o pescoço fino e longo
o queixo contraído
na espera de um beijo
Desceste o olhar
e o véu acompanhou-te
Lentamente descobriste
um seio depois o outro
adivinhaste-lhes o desejo
continuaste pouco a pouco
a perturbar-te com o olhar
Relançaste o ventre
baixaste à mais bela flor
e quedaste-te
nesse momento renasceram
as lembranças dos dias-noites
Partiste à procura de ti
olhaste as longas pernas
nos pés adivinhaste o andar
quando ainda corrias
Estavas desnudada de ti
apenas o espelho à tua frente
se erguia estoicamente
sabendo que não partiria
no amanhecer de um novo dia

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