Na poltrona azul
daquela cave alumiada
por velhos candeeiros
as meninas aguardam
a sua vez
Lá em cima
os gritos abafados
cortam a noite
do desencanto
É sempre
o mesmo o ritual
do amor comprado
por qualquer preço
dos corpos trocados
amassados maltratados
que as meninas
já tão bem conhecem
A miragem
das escadas
no final do corredor
da porta da rua
sem trancas
é o sonho etéreo
das meninas
na poltrona azul
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