sábado, 4 de junho de 2011

AS MENINAS





Na poltrona azul
daquela cave alumiada
por velhos candeeiros
as meninas aguardam
a sua vez


Lá em cima
os gritos abafados
cortam a noite
do desencanto


É sempre
o mesmo o ritual
do amor comprado
por qualquer preço


dos corpos trocados
amassados maltratados
que as meninas
já tão bem conhecem


A miragem


das escadas
no final do corredor


da porta da rua
sem trancas


é o sonho etéreo
das meninas
na poltrona azul


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